Já dizia o crítico francês Eugène-Melchior de Vogüé: “Todos nós saímos de O Capote de Gógol”. Com uma escrita leve e instigante, me senti conversando com o autor que é simbolo da Literatura Russa. Neste livro chamado “ O Capote”, fui criando a expectativa de um acontecimento trágico na vida do personagem principal, enquanto ia lendo sobre sua trajetória e características. Até perceber que a reviravolta no fim da história é a real surpresa. Gógol faz uma crítica social (que você pode entender o contexto histórico fazendo uma pesquisa na internet), de cunho tragicômico. Estamos falando de Akáki Akákievitch, um funcionário público fracassado, ignorado por seus pares, sem parentes e que junta pouco a pouco do seu dinheiro para pagar um alfaiate que fará um sobretudo novo com a função de o proteger no inverno. A partir de então, tudo é regido pela realização do objetivo. Não é complicado reconhecer os comportamentos e problemáticas dos envolvidos na narrativa. Explicar detalhes é entregar a graça que vai sendo construída nesta leitura. Arrisco dizer que, o trabalho realista com pedaços de surrealismo de Nikolai me lembrou novelas construídas com realismo fantástico. Poderia citar várias cenas, mas a que me veio quase que instantaneamente, após terminar o livro, foi da fabulosa atriz Eva Wilma na novela “A Indomada”. Uma de suas personagens mais marcantes, a vilã Altiva, morre e seu espírito aparece gargalhando e jurando vingança. Podemos mesmo sair todos do Capote de Gogol.
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